Eram quase quatro e meia da manhã quando recebi um telefonema.
- Nic é você?
- Sim Ev, sou eu.
- Nic, você precisa vim aqui na rua Reyomond, próximo ao lago principal.
- Fazer o que ai? Sabe que horas sÃO ? Alo ? Ev.
Neste exato momento fiquei desesperado. Vesti o primeiro suéter que vi. Peguei minha bike na garagem, que por sinal eu não usava a muito tempo e fui ate lá.
Eu estava assustado demais, para pensar no que poderia ter acontecido, apenas pedalei e quando menos percebi já estava lá. E foi em uma sequencia que tudo aconteceu.
Primeiro vi um carro que me pareceu quase capotado, depois um grupo de bombeiros tentando tirar algo ou alguém de lá e logo em seguida vi Ev.
- Ei Ev, o que está acontecendo?
- Nic - Ev me abraçou.
Ev chorava e ao mesmo tempo soluçava muito. A ultima vez que vi Ev deste jeito, foi no enterro de sua vó Sophia.
- O Patric, Nic.
- O que tem o Patric ?
- Ele jogou o carro no lago principal.
- O que ? Como assim ?
- Ele devia ter bebido demais, sei lá.
- Não, você sabe que ele nunca foi disso.
- Eu sei, mas...
- Mas o que Ev.
- Olha Nic! Neste tempo que você e o Patric estiveram sem se falar, aconteceram muitas coisas, o Patric mudou bastante. Mas sei lá, talvez você não tenha percebido né, você só liga para o seu umbigo.
Do que ela estava falando ? Que coisas que poderiam ter acontecido ? E que história é esta de que eu só ligo para o meu umbigo?
Mas o que não saia da minha cabeça naquele momento, era o fato de: Como o Patric foi capaz de fazer isto? Justo ele que sempre me dizia '' Não desista nunca, viver é obter experiencias''.
E eu precisava fazer algo naquele momento? Sim eu precisava, mas não sabia o que , justo na hora que eu mais precisava eu simplesmente NÃO-SABIA-O-QUE-FAZER.
Primeiro pensei em ir até lá onde o Patric estava e começar a gritar o nome dele E questionar o PORQUE dele ter feito aquilo , ou melhor, ajudar os bombeiros e depois começar a berrar no chão. Mas realmente nada o que eu fizesse naquele momento ia poder mudar o rumo da história.
Então eu simplesmente fui em direção a minha bike, enquanto Ev dizia:
- Qualé Nic, para onde você vai ? Não acredito que mais uma vez você vai fugir dos problemas sem ao menos tentar. Sempre foi assim não é ? Fugindo de tudo, mas por que? Pra não ter que '' sofrer '' ? ou por não saber lidar com nada? Saiba que ninguém é forte por muito tempo, e o muro sempre cai para um lada, cuidado pequeno garoto que na prova da vida não há recuperação.
Naquele momento não dei muita atenção para o que Ev disse, eu simplesmente fui embora, ou como ela disse '' Fugi do Problema'' .
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04:12 de junho de 1992
Querido Patric.
Faltam apenas três meses para o termino do ano. E onde eu estive este tempo todo? E minhas promessas? Infelizmente foram todas passadas para o próximo ano. Acho que o único desejo que ainda restou dentro de mim, é o que de tudo acabe logo. O ano, as aulas e até mesmo essa tristeza que tem sido a minha única companhia.
Saiba que eu não vim desabafar nesta carta, sei lá, já tem um tempo que não tenho uma conversa franca com alguém. Só você que me entendia sabe. E sem você aqui só me restou a Ev, não é que ela não me entenda, mas sabe, desde a sua morte não a vejo, ela nem ao menos tentou me visitar.
Então desde o acontecimento não saio de casa,muito menos sei o que acontece lá fora. Mas agora eu sei que você deve tá se perguntando '' E o que diabos você fez esse tempo todo? ''. Eu li, li muito. Admito. Nunca fui um grande amante da leitura. Sempre fui daqueles que lê um livro aqui, e outro ali. Mas desta vez é diferente leio um atrás do outro.
É estranho percebe que eu troquei o mundo real pelo da fantasia. Mas você deve saber, que no mundo real as coisas são muito mais complicadas, enquanto no mundo da fantasia as coisas são bem menos complexas.
Com tudo, logo, logo, as ferias acabam, e eu simplismente não estou preparado para voltar a escola, porque desta vez não vou ter ninguém para me ajudar a suportar aquele inferno.
Sinceramente a única coisa que aprendi estes anos todos na escola foi a suportar gente irritante, falsa e fedorenta.
Daqui a pouco vou sair para comemorar o aniversário do meu primo Michel, lembra dele ? Pois bem vai ser a primeira vez que saio de casa. Minha mãe meio que me obrigou a ir, se não tiraria meus livros e o toca fitas, fico pensando '' QUE TIPO DE MÃE FAZ ISTO ? ''
Não sei se escreverei uma próxima carta. Fico por aqui.
Nic, o imprevisivel.

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